Confrontando o bullying utilizando a justiça e o amor
***Stephen Meier**** As escolas cristãs são seguras? O que faz o ambiente de uma escola cristã ser um lugar onde pais querem colocar os seus filhos? É necessário tratar o problema do bullying em escolas cristãs? Essas questões são fundamentais quando consideramos as constantes transformações do ambiente cultural de nossas escolas nos dias de hoje..
... Como líderes de escolas cristãs, é importante abordarmos efetivamente o bullying... É muito fácil varrer a questão para baixo do tapete quando outras preocupações, como desenvolver altos padrões acadêmicos para a escola e assegurar a mais alta qualidade de educação para cada aluno, tornam-se cada vez mais imperativos.
No entanto, o bullying tem um alcance negativo na vida dos alunos que permanecerá com eles para sempre. Como poderemos ser sensíveis com os alunos mais frágeis e ainda apreciar a excepcional combinação de culturas dentro da escola...? Isso é algo especialmente importante de se observar durante os mais voláteis anos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
Pesquisas mostram que se tornar vítima de bullying está afetando intensamente os estudantes de Ensino Médio. É bem sabido que a adolescência pode ser o período mais difícil na vida de um jovem...
O bullying é geralmente definido simplesmente como “um ataque físico ou verbal que desvaloriza outra pessoa”. Há uma ampla gama de cenários que envolvem o bullying dentro de um ambiente escolar... O bullying tem, em suas diversas manifestações, aspectos comuns em cada cultura escolar. Táticas como intimidações, assédios, violências físicas, fofocas, boatos e ameaças verbais contribuem de forma completa para um ambiente negativo onde o aprendizado acaba relegado ao segundo plano.
O bullying pode influenciar a dinâmica da disciplina na sala de aula, que tende a crescer com o decorrer dos anos. Isso é especialmente importante nas escolas cristãs, onde alunos podem desenvolver uma aversão ao cristianismo se aqueles que praticam o bullying referem-se a si mesmos(as) como cristãos(ãs). Se não tratarmos o bullying efetivamente dentro do ambiente escolar cristão, criamos o potencial dos estudantes vitimizados saírem das escolas carregando sentimentos de amargura e ressentimento em relação a Jesus Cristo e ao evangelho. Devemos tomar medidas e trabalharmos em conjunto no reconhecimento dos efeitos do bullying. Vítimas de bullying começarão a perder sua autoconfiança e, como resultado, passarão a possuir uma baixa autoestima permanente.
A triste ironia é que vítimas de bullying frequentemente se tornam praticantes de bullying, e esse fato se aplica ao ambiente escolar cristão também. Por exemplo, um estudante do Ensino Fundamental II recebe um soco no estômago e é forçado a dar seu lanche em troca de ser deixado em paz. Nos anos escolares posteriores, esse mesmo aluno pode aplicar esses mesmos tipos de táticas de bullying em outros.
Quando estamos na liderança de uma escola..., por exemplo, como diretor, pode ser bem difícil identificar atos específicos de bullying quando eles ocorrem. A maior parte das situações de bullying é realizada entre os períodos de aula, em nossos corredores, em nossos playgrounds, no intervalo, e antes e depois do período de aulas. Esses momentos e locais são desafiadores para a supervisão do comportamento do aluno. Além disso, quando confrontamos ações específicas de bullying, normalmente, nos deparamos com um embate entre a palavra de um estudante contra a do outro. Esse impasse deve ser resolvido de forma que todas as partes envolvidas sejam tratadas com justiça.
Como podemos lidar com sucesso o bullying e eliminá-lo de nossas escolas? Aqui estão quatro ingredientes de uma fórmula eficaz:
- Assumindo um papel ativo. Quando lidam com o bullying, os diretores devem investir tempo para tomar decisões sábias. Líderes devem combater ativamente o bullying. Alunos e pais esperam que os líderes assumam a linha de frente na criação de um ambiente seguro. Um coordenador do Ensino Fundamental e Médio não pode cessar as investigações de incidentes específicos simplesmente porque não teve tempo para acompanhá-los. Esse tempo deve ser investido. Se muitos alunos estão envolvidos, todos eles devem ser chamados para conversar com o diretor/coordenador se ele deseja identificar o problema. O maior desafio para descobrir a verdade é a quantidade de mentiras que vem à tona durante esses confrontos, porque alunos que praticam o bullying irão acionar dispositivos enganosos para evitar a punição.
- Parceria com os professores. Os diretores/coordenadores são responsáveis por fornecer aos professores os meios de que necessitam para melhor reconhecer o bullying e saber como lidar com ele. Os alunos desejam professores que deem a eles firmes diretrizes e que possuam boas habilidades de gerenciamento de sala de aula. Alunos também desejam aprender em um ambiente respeitoso e amoroso. Os professores devem estar atentos em observar sinais de bullying que possam vir à tona dentro de uma sala de aula.
- Parceria com os alunos. Diretores/coordenadores e alunos devem encontrar maneiras de identificar ocorrências de bullying e fazer parcerias com alunos com potencial de liderança. Para realizar isso, o corpo docente deve buscar ativamente por aqueles alunos que têm se tornado modelos a serem seguidos por seus colegas. Uma tarefa importante é treinar esses líderes a serem mediadores em seus grupos de amigos para lidar com bullying nas rodas que frequentam.
- Envolvendo os pais. É importante trazer os pais como parceiros no processo. Tanto os pais das vítimas quanto os pais dos agressores devem ser tratados de forma igual na restituição de situações específicas. O resultado desejado é trazer a verdade à tona e corrigir o comportamento inaceitável dos alunos que participaram de atos de bullying.
Entretanto, a vitória não é alcançada “acabando com os alunos” e fazendo-os confessar seus erros. A verdadeira vitória é alcançada quando os alunos veem um diretor ou professor amoroso que os trata como indivíduos, mesmo em um processo de correção. Os subprodutos são confissão, disciplina e restauração.
Compartilhando uma experiência pessoal: sou coordenador de uma escola cristã internacional. Quando concluo um processo disciplinar, geralmente digo ao aluno envolvido: “Eu desejo que você saiba que, de modo algum, o vejo de forma diferente do que antes de todas essas informações virem à luz. Você é um pecador salvo pela graça, e eu sou um pecador salvo pela graça. Estou aqui para auxiliá-lo, não para destruí-lo. Você cometeu um erro, e eu confio que você aprendeu com isso”.
Depois de avisar o aluno sobre os procedimentos disciplinares que iremos adotar em decorrência de suas ações, eu pergunto se posso orar por ele ou ela... Restauração, redenção, paciência, amabilidade e, finalmente, amor são todos importantes componentes no confronto com os alunos nessas situações.
Uma das mais importantes chaves para atuar em meio aos relatos de bullying é continuar a orar pela sabedoria de Jesus. Devemos convidar o Espírito Santo para atuar em cada pessoa de modo que a verdade venha à luz. No fim do dia, a direção da escola irá tomar decisões que afetarão alunos, pais, desempenho acadêmico e o corpo docente.
A coisa mais bela no ambiente escolar cristão é o fato de que ninguém está sozinho nesse processo. O diretor é uma parte do triângulo. Pais e alunos compõem as outras duas partes. No centro do triângulo está Jesus Cristo, trabalhando em e por meio de nós. Vamos confrontar o bullying em nossas escolas equilibrando a justiça e o amor. Esse equilíbrio nos auxiliará a fazer das escolas cristãs, locais seguros.
*Stephen Meier, Mestre em Educação, é filho de missionários, cresceu na Áustria onde ele se formou na Vienna Christian School em 1996. Atuou como diretor do Ensino Fundamental II e Médio, na Shenandoah Valley Christian Academy em Stephens City, Virgínia de 2005-2008. Agora é coordenador do Ensino Fundamental II e Médio na Alliance Academy International em Quito, Equador.
Fonte: Christian School Education. Volume 13, número 13. 2009/2010. ACSI.





