Mentalidade Contemporânea - Rev. Prof. Ricardo Xavier

Srs. Pais,

A mentalidade contemporânea (formas de pensamentos e tendências de nossa geração) está alicerçada em acontecimentos históricos que compuseram o cenário da sociedade moderna em que vivemos; pois o homem é um ser social, e produto dessa construção, pois ele interage.

Destaco neste pequeno artigo os principais movimentos históricos que deixaram um legado para a nossa sociedade: Movimento Filosófico, o Humanismo, a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Industrial e as Ciências Modernas, entre outros. Em nossos dias, está em alta a Securalização, que é a tendência de deslocar o sagrado ou Deus do centro da existência humana. Ressalto, que o existencialismo é a corrente filosófica mãe da secularização e devemos quebrar o mito de que a secularização se preocupa ou luta para provar que Deus não existe. Bobagem! Esta corrente filosófica, simplesmente não leva Deus em consideração, deixa-O de lado.

Por isto, encontramos muitas pessoas com alguma forma de expressão religiosa; mas ela, não influencia sua vida, conduta moral, familiar ou ética. Sabe porque? É que estas áreas são da vida privada e nada tem a ver com Deus. Temos também o Pragmatismo. O que importa é a funcionalidade. É correto aquilo que funciona ou satisfaz. O Pragmatismo acaba gerando o ativismo. Então, o homem moderno não tem mais tempo para pensar, meditar ou contemplar. Logo, não há motivação para desenvolver relacionamentos profundos e duradouros, uma vez que as relações duradouras e profundas estão firmadas na função de: vamos viver, fazer e construir juntos. Por isso, quando não “funciona” esta geração descarta.

Outra influência contemporânea é o Hedonismo. Esta corrente advoga que a vida deve ser regida pelo principio do prazer. A erotização de nossa sociedade é algo que salta aos nossos olhos; onde as novelas, as propagandas, os filmes, as roupas e o mercado em geral, vendem sexo. Se tivesse espaço neste artigo, eu poderia falar dos símbolos hedônicos de nossa sociedade contemporânea.

A outra corrente é o Consumismo. A sociedade moderna reflete valores do ter ao invés do ser. As pessoas valem pelo que possuem e não pelo que são. Esta mentalidade é estressante e impõe uma pressão de sempre adquirir mais, por consequência, ela gera uma tensão de não ter condições para faze-lo plenamente.

A outra é o Pluralismo. É a corrente que defende a tese de não existir uma verdade, mas muitas verdades, capazes de viver juntas. Apregoa que a verdade é relativa, sendo a experiência pessoal o critério usado para avaliar e validar. É por causa da mentalidade pluralista que os “evangélicos” são aceitos nesta sociedade. Simplesmente é mais uma verdade entre tantas outras e deve ser respeitada. Mas, se houver tentativa de firmar a verdade cristã e declarar que “somente Jesus é o caminho, a verdade e a vida e que ninguém é salvo fora dele”, isso é arrogância, prepotência e falta de respeito. Estas são as principais correntes de pensamentos de nossa sociedade contemporânea e precisamos conhecê-las. Entretanto, na qualidade de professor de Ensino Religioso e Ética de seus filhos, em uma escola com filosofia cristã, mediante os princípios das Sagradas Escrituras, desejo leva-los(as) a ter uma postura cristã adequada em nossa sociedade. Mas como? Como levar seu filho e filha a terem posturas cristãs nesta sociedade pervertida e contaminada?

Vou entrar em um tema que infelizmente já se tornou comum: “gravidez na adolescência”. Este tema eclodiu por parte dos alunos(as) em debate em sala de aula e então eu lhes disse: “Quando vemos garotas na faixa etária de 12 a 16 anos grávidas, nos perguntamos: “o que eles tem na cabeça?” (a garota e o rapaz). A resposta é: “o que não tem na cabeça e no coração”. Muitos não tem valores tais como: permanência, fidelidade, responsabilidade, estabilidade, casamento, família, etc. Não há compreensão, há um grande vazio. É uma vida light, assim como os produtos de nossos dias: alimentos sem calorias, cerveja sem álcool, açúcar sem glicose, cigarro sem nicotina, café sem cafeína, manteiga sem gordura. A sociedade moderna está vazia e isto gera relações vazias. Se rolou um carinho ou esquentou “eles ficam!”. A mídia por sua vez não cansa de reafirmar este vazio. Pode transar desde que com camisinha somente por causa da AIDS ou DST's; pois afinal de contas o que vale é o prazer. É a sociedade do prazer imediato e a qualquer preço.

E para você jovem (eu disse a eles(as), para ser um genuíno(a) cristão(ã) é tenso. Sim! Não é nada fácil, mas é possível. Mas digo ser “CRISTÃO MESMO” e não apenas usar o terno que pertence á cristandade mundial como contraposição as outras religiões. Pense comigo: uma das coisas que a Sociedade Moderna produziu foi o desaparecimento da comunidade. Antes as famílias eram grandes e cheias (tios, avós...), atualmente, tudo mudou; são poucos filhos, vida corrida e ninguém se vê. Por consequência, enfraqueceu os referenciais; pois antigamente, o individuo se construía a partir da influência de um grande número de pessoas; e do universo familiar, brotava as firmes raízes de valores morais e éticos. Hoje, muitos jovens são navios sem bussola, apenas vela e tem vento demais soprando. Na ausência de referenciais, desenvolve-se mecanismos de sobrevivência e de defesa tais como: não confio em ninguém; ninguém fará nada por mim; cada um por si; não dou afeto, carinho e atenção pois nunca recebi; eu resolvo tudo sozinho, etc. Pessoas vivendo solitárias em meio as multidões. O produto disso são adolescentes e jovens com cabeça plural (respeita as diferenças), mas com vida privada (não se meta na minha vida e no meu espaço).

Então, eu lhes disse que há “alguém”. E lhes falei de Jesus. Falei do pão e do cálice; falei do pertencimento a uma comunidade de fé; falei da aliança e do amor de Deus; falei que privacidade não é isolamento; falei que as pessoas não são avulsas e que existem pessoas que se importam com as outras; falei das pessoas que amam, que conversam, gente que tem defeito, angústias, sonhos e ideais; falei das pessoas altruístas, abnegadas e solidárias; falei que a vida pode ser diferente por causa de “alguém”; falei da fidelidade, da permanência, da paciência, da constância, do afeto, do amor e da família.

Falei do Cristianismo que oferece a oportunidade de viver o novo; de viver um profundo significado de família, de conhecer um Pai que ama e nunca está ausente. Pois, o Apóstolo Paulo propôs em Efésios 2:19: “Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e sois família de Deus”. Estamos juntos na luta e no desafio de formar homens e mulheres íntegros(as) para as futuras gerações.

Que Deus lhes abençoe!

Rev. Prof. Ricardo Xavier de Castro

Pastor da Igreja Presbiteriana Nova Dourados em Dourados - MS, Professor de Ensino Religioso e Ética na Escola Presbiteriana Erasmo Braga, Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano e Pós-graduado em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.